Janeiro Branco: saúde mental também importa

Janeiro é um mês especial para refletir sobre a saúde mental, graças à campanha Janeiro Branco, que nos convida a pensar no nosso bem-estar emocional. Em um mundo cada vez mais acelerado, onde somos bombardeados por informações, demandas e expectativas, cuidar da mente se tornou tão importante quanto cuidar do corpo. No entanto, muitas vezes, a saúde mental acaba sendo deixada de lado, seja por priorizarmos metas profissionais, compromissos familiares ou até mesmo por falta de compreensão sobre sua real importância.

Mas, afinal, o que é saúde mental? Não se trata apenas da ausência de transtornos psicológicos. É um estado de equilíbrio emocional, psicológico e social que nos permite enfrentar os desafios da vida, manter relações saudáveis e tomar decisões conscientes. Assim como nos preocupamos em nos alimentar bem, praticar exercícios físicos e fazer check-ups médicos, precisamos adotar práticas que fortaleçam nossa mente.

A contemporaneidade trouxe avanços incríveis, como a tecnologia e o acesso à informação. Mas, junto com esses benefícios, vieram também desafios que impactam diretamente nossa saúde mental. A cobrança por produtividade, a hiperconectividade e o isolamento social são alguns dos principais vilões do bem-estar emocional.

Por mais paradoxal que pareça, a solidão tem se tornado um problema crescente, mesmo em um mundo onde estamos constantemente conectados. A dificuldade em estabelecer limites entre vida pessoal e profissional e a falta de tempo para o autocuidado só agravam essa situação. Um estudo de pesquisa mostrou que o isolamento social está diretamente ligado ao aumento de sintomas depressivos em diferentes faixas etárias (Matthews et al., 2017).

Como priorizar a saúde mental no dia a dia?

Falar sobre saúde mental é o primeiro passo para quebrar tabus e encorajar as pessoas a buscarem ajuda. Além disso, pequenas mudanças na rotina podem fazer uma grande diferença:

1. Pratique o autocuidado: reserve um tempo para fazer o que você gosta, seja ler um livro, praticar um hobby ou simplesmente caminhar ao ar livre. Esses momentos são essenciais para recarregar as energias.

2. Estabeleça limites: aprender a dizer “não” é fundamental. Priorize suas necessidades e não tenha medo de colocar limites quando sentir que está sobrecarregado.

3. Cultive conexões significativas: relacionamentos saudáveis são um antídoto poderoso contra a solidão. Invista tempo em estar com pessoas que fazem bem ao seu coração.

4. Considere fazer terapia: a psicoterapia é uma ferramenta valiosa para entender suas emoções e desenvolver habilidades para lidar com desafios. Estudos mostram que a terapia é eficaz no tratamento de transtornos como ansiedade, depressão e outros sintomas que acarretam prejuízo na vida social e laboral do sujeito (Cuijpers et al., 2018).

5. Cuide do corpo: A mente e o corpo estão profundamente conectados. Uma alimentação equilibrada, sono de qualidade e exercícios físicos regulares têm impacto direto no bem-estar mental. Uma revisão sistemática de Kandola et al. (2020) mostrou que a atividade física pode reduzir o risco de depressão em até 25%.

Promover a saúde mental não é uma responsabilidade apenas individual. Comunidades, escolas, empresas e governos também têm um papel crucial nesse processo. Criar espaços de escuta, promover campanhas de conscientização e oferecer ambientes de trabalho mais humanizados são iniciativas que podem transformar vidas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que políticas públicas voltadas para a saúde mental são essenciais para reduzir estigmas e garantir que as pessoas tenham acesso aos cuidados necessários. Afinal, cuidar da mente é um direito de todos.

O janeiro Branco nos lembra que a saúde mental não deve ser um tabu, mas uma prioridade. Quando cuidamos da mente, estamos construindo as bases para uma vida mais plena, equilibrada e feliz. Então, que tal começar esse ano com um olhar mais atento ao seu bem-estar emocional? Afinal, uma mente saudável é o alicerce para tudo o que queremos conquistar.

Referências  

Cuijpers, P., Karyotaki, E., Weitz, E., Andersson, G., Hollon, S. D., & van Straten, A. (2018). The effects of psychotherapies for major depression in adults on remission, recovery, and improvement: A meta-analysis. The Lancet Psychiatry, 5(7), 596–604. https://doi.org/10.1016/S2215-0366(18)30036-1  

Kandola, A., Ashdown-Franks, G., Hendrikse, J., Sabiston, C. M., & Stubbs, B. (2020). Physical activity and depression: Towards understanding the antidepressant mechanisms of physical activity. Neuroscience & Biobehavioral Reviews*, 116, 503–513. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2020.07.013 

Matthews, T., Danese, A., Caspi, A., Fisher, H. L., Goldman-Mellor, S., Kepa, A., Moffitt, T. E., Odgers, C. L., & Arseneault, L. (2017). Lonely young adults in modern Britain: Findings from an epidemiological cohort study. Journal of Affective Disorders, 214, 260–267. https://doi.org/10.1016/j.jad.2017.03.052  

World Health Organization. (2019). Mental health in primary care: Illusion or inclusion? Retrieved from https://www.who.int  

Fernanda Munhoz Driemeier Schmidt

Psicóloga e psicoterapeuta

Diretora do Departamento de Pesquisa do CIPT

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